quarta-feira, 27 de setembro de 2017

ATIVIDADE DE INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO - GÊNERO TEXTUAL: RELATO PESSOAL



MINHA FUGA DA COREIA DO NORTE: RELATO DE UMA SOBREVIVENTE

"Quando eu era pequena, achava que meu país era o melhor do mundo. Cresci cantando uma canção chamada "Nada a Invejar" e eu tinha muito orgulho. Na escola, passávamos muito tempo estudando a história de Kim II-Sung, mas nunca ouvíamos falar muito do mundo lá fora, exceto que os EUA, a Coréia do Sul e o Japão eram inimigos. Embora eu muitas vezes tivesse curiosidade a respeito do mundo externo, eu achava que passaria minha vida inteira na Coréia do Norte, até que tudo mudou de repente.
Quando tinha sete anos, vi pela primeira vez uma execução pública, mas eu achava que a minha vida na Coreia do Norte era normal. Minha família não era pobre, e eu, particularmente, nunca tivera a experiência de passar fome.
Mas um dia, em 1995, minha mãe chegou em casa com uma carta da irmã de um colega de trabalho. Dizia assim, "Quando você ler isso, todos os cinco membros da família não existirão mais neste mundo, porque nós não comemos faz duas semanas. Estamos deitados juntos no chão, e nossos corpos estão tão fracos, que estamos prontos para morrer."
Fiquei muito chocada. Esta foi a primeira vez que fiquei sabendo que pessoas no meu país estavam sofrendo. Pouco tempo depois, quando eu passava por uma estação de trem, vi algo terrível que não consigo apagar da minha memória. Uma mulher sem vida estava deitada no chão, enquanto uma criança magra e faminta em seus braços olhava, desamparada, fixamente para o rosto da mãe. Mas ninguém os ajudava, porque todos estavam muito concentrados em cuidar de si mesmos e de suas famílias.
Uma vasta escassez de alimento atingiu a Coreia do Norte em meados da década de 1990. No fim das contas, mais de um milhão de norte-coreanos morreram durante o período de fome, e muitos só sobreviveram comendo capim, insetos e cascas de árvores. Interrupções no fornecimento de energia elétrica também se tornaram cada vez mais frequentes, então tudo ao meu redor era completamente escuro à noite exceto pelo mar de luzes na China, logo do outro lado do rio perto da minha casa. Sempre me perguntei por que eles tinham luz e nós não. Esta é uma foto de satélite, mostrando a Coreia do Norte à noite, comparada com os países vizinhos.
Este é o rio Amrok, que delimita parte da fronteira entre a Coreia do Norte e a China. Como vocês podem ver, o rio é bem estreito em determinados locais, o que permite que norte-coreanos secretamente atravessem para o outro lado. Mas muitos morrem. Às vezes eu via corpos boiando rio abaixo. Não posso revelar muitos detalhes sobre como saí da Coréia do Norte, mas só posso dizer que, durante os anos difíceis de escassez, eu fui mandada para a China para morar com parentes distantes. Mas eu achei que só ficaria separada da minha família por pouco tempo. Nunca poderia imaginar que levaríamos quatorze anos até voltarmos a viver juntos.
Na China, era difícil viver sendo uma jovem garota, sem minha família. Eu não fazia ideia de como seria a vida como uma refugiada norte-coreana, mas logo descobri que isso não é apenas extremamente difícil, é também muito perigoso, já que refugiados norte-coreanos são considerados, na China, como imigrantes ilegais. Por isso eu vivia constantemente com medo de que minha identidade fosse descoberta, e de que eu fosse repatriada e tivesse um destino terrível de volta à Coreia do Norte. (...)


01. O texto em análise apresenta características comuns ao gênero textual
a) Notícia
b) Relato pessoal
c) Reportagem
d) Crônica
e) Relato de viagem

02. Uma característica linguística marcante desse gênero textual é o uso
 a) da 3ª pessoa do singular por se tratar de um comentário imparcial.
b) verbos no tempo presente para dar a sensação de algo que acabou de acontecer.
c) verbos no pretérito mais que perfeito por indicar uma história muito antiga.
d) da 1ª pessoa do singular por se tratar de um texto de caráter pessoal.
e) da 1ª pessoa do plural para retratar o coletivo dos coreanos que querem fugir da Coreia.

03. O texto é um relato pessoal de uma coreana sobre tudo que viveu para conseguir sair da Coreia do Norte. A partir da leitura do texto, podem-se considerar como características do relato os itens
I. Uma alta carga emotiva por se tratar de experiências pessoais.
II. Um texto de linguagem clara, objetiva e imparcial que dá mais ênfase às ações do que aos sentimentos.
III. É característica do relato a apresentação de uma análise crítica sobre os fatos mencionados.
IV. A subjetividade é uma marca necessária ao gênero relato considerando a sua função comunicativa.
V. A descrição não é a tipologia predominante em um relato, mas é essencial para a sua construção.
VI. Os pronomes como seu, sua, teu, tua, nosso e nossa são uma marca linguística comum nos relatos.

a) Estão corretos os itens I, IV e V.
b) Estão corretos os itens I, III e IV.
c) Estão errados os itens III, V e VI.
d) Estão errados os itens II, IV e V.
e) Estão corretos os itens I, V e VI.

04. A tipologia textual predominante neste gênero textual é
 a) Narrativa, com predominância de verbos no pretérito perfeito e mais-que-perfeito.
b) Descritiva, com destaque para o uso marcante de adjetivos.
c) Expositiva, com predominância de explicações fundamentadas em teorias.
d) Argumentativa, com o objetivo de defender o ponto de vista da coreana.
e) Narrativa, com predominância de verbos no pretérito imperfeito e perfeito.

05. A primeira vez que a norte-coreana percebeu que a situação em que a população vivia na Coreia do Norte era realmente muito difícil foi quando
a) na escola, as crianças passavam muito tempo estudando a história de Kim II-Sung.
b) viu pela primeira vez uma execução pública.
c) sua mãe recebeu uma carta que falava sobre a morte de uma família por fome.
d) uma vasta escassez de alimento atingiu a Coreia do Norte.
e) viu uma mulher sem vida estava deitada no chão com seu filho deitado ao seu lado.

06. O maior de todos os medos da protagonista era de que
a) ela passasse fome com sua família.
b) ela fosse repatriada para a Coréia.
c) algum refugiado morresse na travessia.
d) não conseguisse sobreviver na China.
e) ficasse longe de sua família por muito tempo.

07. “Eu não fazia ideia de como seria a vida como uma refugiada norte-coreana, mas logo descobri que isso não é apenas extremamente difícil, é também muito perigoso, já que refugiados norte-coreanos são considerados, na China, como imigrantes ilegais”. No período em destaque, observam-se três conjunções destacadas e, de acordo com o sentido em que elas foram usadas, pode-se afirmar que indicam, respectivamente, ideias de
a) contradição – explicação – conformidade.
b) conclusão – causa – comparação.
c) oposição – explicação – causa.
d) oposição – causa – comparação. 
e) adição – consequência – causa.

Charge

Disponível em https://pt.slideshare.net/markoabreu/os-refugiados-e-a-crise-migratria. Acesso em 27/09/2017, às 09:57.

08. De acordo com a análise da linguagem não- verbal, pode-se concluir que

I. Os imigrantes, provavelmente, são de origem africana.
II.  A bandeira representa a união europeia.
III. O muro representa a necessidade de se manter a segurança contra os inimigos.
IV. O homem de paletó representa os líderes dos países que não querem receber os imigrantes.
V. O balão com as reticências indica que o líder europeu está em dúvida se permitirá a entrada dos refugiados.
VI. Muitos refugiados entram principalmente nos países europeus por terra.

a) os itens I, II e VI estão corretos.
b) os itens II , III e IV estão corretos.
c) os itens I, II e IV estão corretos.
d) os itens II, V e VI estão corretos.
e) os itens I, III e V estão corretos.

09. Com relação ao uso do “porquê”, pode-se afirmar corretamente que
a) Em “por que você acha que nós viemos aqui roubar?”, o porquê utilizado está incorreto.
b) No primeiro caso, deveria ter sido usado “porque”, junto e sem acento.
c) Em “Porque foi isso que fizemos quando invadimos o seu país”, o porquê foi utilizado está incorreto.
d) No segundo caso, deveria ter sido usado “por quê”, separado e com acento.
e) Em ambas as situações os porquês foram empregados de forma correta.

10. Em “Porque foi isso que fizemos quando invadimos o seu país”, a conjunção subordinativa “quando”  pode ser classificada, de acordo com o sentido que expressa, como
a) condicional.
b) temporal.
c) consecutiva.
d) proporcional.
e) concessiva.



GABARITO: 01. B; 02. D; 03. A; 04. E; 05. C; 06. B; 07. D; 08.C; 09. E; 10.B.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (33)


PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema O IMPACTO DAS DROGAS NA VIDA DOS JOVENS BRASILEIROS”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

TEXTO I
Drogas e violência: veja o impacto sobre a família
15 de maio de 2012, 13h54

(...) Ainda assim, o filósofo e professor de Sociologia da Faculdade de Tecnologia de Guaratinguetá (Fatec), João Geraldo dos Santos Júnior, lembrou que essa não é a raiz do problema. Para João Geraldo, existe um motivo maior que leva ao vício em drogas. “É muitas vezes, a falta de perspectiva. É o não-saber o que nós estamos fazendo aqui que gera essa questão de querer se drogar. É a falta de expectativa de vida, de esperança mesmo. Tudo isso leva o jovem e, muitas vezes, até o adulto, a procurar no mundo das drogas um alívio, uma alegria artificial”, afirmou. (...)
O uso de drogas, além de ser um problema em si, constituindo um desafio a ser vencido pela família que tem um dependente químico, é responsável por outros problemas sociais, como a violência.
“As pessoas que se tornam viciadas no Brasil, muitas vezes a maioria, não são capazes de sustentar o seu vício e aí partem para a violência, para o furto, para o roubo, enfim, para sustentar esse vício”, explicou João Geraldo. (...)


TEXTO II

O consumo de drogas podem trazer vários problemas a nível social e de saúde. Esta imagem vai nos ajudar a perceber o prejuízo de um toxicodependente perante a sociedade.


Disponível em https://drogas8b.wordpress.com/tipos-de-drogas-e-curiosidades/. Acesso em 14/062017, às 23:20.

TEXTO III
Ex-usuários de drogas contam histórias de luta e superação para vencer o vício

(...)
Antônio da Anunciação Gomes, 37 anos, entrou para o tráfico de drogas aos 16. Hoje ele está recuperado e é instrutor do Centro de Recuperação Esquadrão Redentor. Essa é mais uma história de luta e superação.
“A pior parte da minha vida veio quando eu comecei a destruir meu lar. O tráfico nos ilude. Eu entrei no lado perverso do uso da droga que me levou a furtar. Eu destruí minha família, vendi tudo que eu tinha dentro de casa para comprar drogas. Até os fios de energia eu tirei para vender”, contou.
Antônio diz que ainda está em fase de recuperação e afirma que a família não está completamente restaurada, pois as sequelas foram grandes.
“O ferimento que causamos é imenso. Hoje eu tenho o respeito da minha família, mas ainda não consegui me reconciliar com minha ex-esposa. Quando usamos drogas não temos amor a vida do próximo, pois vendemos uma ferramenta de destruição. Aparentemente nós controlamos a droga, mas na verdade é a droga que controla o viciado. Então quem tiver em sua família alguém envolvido nas drogas, levem uma palavra aconselhadora. Não deixe seu amigo usar drogas, porque as drogas matam”, completa.
Fonte: Acorda Cidade

TEXTO IV
Álcool e Drogas no Trabalho

“Hoje é segunda-feira e o colega de departamento, que senta ao lado de sua mesa faltou ao trabalho. Ele, aliás, não trabalhou em muitas segundas-feiras do ano que ora termina. Ninguém entende como o colega, com mulher e lindos filhos consegue ser tão irresponsável”.
Essa pequena ilustração nos ajuda a introduzir um dos grandes problemas que ameaçam a instabilidade econômica do nosso país: a questão do uso e consumo de bebidas alcoólicas e drogas em geral, antes, durante e depois do ambiente de trabalho.
A cada dia que passa tem se comprovado que o consumo de álcool e drogas tem afetado a vida de boa parte dos 82 milhões de trabalhadores brasileiros. As empresas também tem tido prejuízos enormes. Segundo cálculos do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), o Brasil perde por ano US$ 19 bilhões de absenteísmo, acidentes e enfermidades causadas pelo uso do álcool e outras drogas.
(...)
No âmbito das relações de emprego, a intoxicação habitual faz com que o trabalhador se mantenha em atividade, enquanto pode, por mera obrigação. Passada a fase de euforia e da desinibição, vem a fase da dependência, cuja tendência é se agravar a ponto de dominar totalmente o organismo humano.
O uso periódico e prolongado reduz a capacidade para o trabalho na medida em que afeta o raciocínio, a concentração, etc., alterando sobremaneira o comportamento do trabalhador relativamente à sua responsabilidade, postura, valores morais, e todo mais que possa excluí-lo do convívio social.
Fonte: Cruz Azul