sábado, 24 de setembro de 2016

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (22) E DICA DE TEMA BOMBÁSTICO (2)




Um outro tema muito cotado para a prova de redação do Enem 2016 é a questão do ESPORTE.

Assuntos relacionados ao esporte também são uma forte aposta para o Enem 2016, principalmente seguindo a linha da INCLUSÃO e da EDUCAÇÃO. Dentre os motivos que justificam a importância desse tema, podemos citar:

- Em pouco mais de dois anos, dois grandes eventos esportivos foram sediados pelo Brasil: a COPA DO MUNDO e, mais recentemente, as OLIMPÍADAS. Quando ocorrem eventos desse porte, sempre retornam à sociedade as discussões sobre a importância do esporte na formação do indivíduo; o investimento em esportes nas escolas, o patrocínio para atletas profissionais, a adoção de práticas esportivas para uma vida saudável, entre outras.

- A questão do esporte como forma de inclusão também é muito forte, pois, como foi postado aqui anteriormente, o tema da INCLUSÃO é um dos mais cotados para o Enem 2016 e a união dos assuntos ESPORTE e INCLUSÃO, não somente com relação aos portadores de deficiência, mas também como inclusão social de pessoas carentes que superam as dificuldades e vencem através do esporte, é uma possibilidade de TEMA sobre o qual devemos deixar recair a nossa atenção.

- No 1º semestre do ano, o Senado Federal lançou como tema para o concurso de redação do Jovem Senador 2016 a proposta: "Esporte, educação e inclusão". Isso prova que a questão do esporte é uma tendência muito forte neste ano.

- Nesta última semana (19/09 a 23/09/16), a divulgação da medida provisória (MP) proposta pelo atual governo que apresenta como uma das mudanças a não obrigatoriedade da disciplina de Educação Física no Ensino Médio causou indignação na sociedade, entre atletas, professores, especialistas, conselhos profissionais, alunos e outros, pois vai de encontro a todos os estudos e modelos de educação adotados em vários países, em que o esporte é muito valorizado nas escolas, tanto como forma de atrair o jovem, de fornecer a ele mais saúde, como também de descobrir novos talentos no esporte para o país.

Obs. Apesar deste último acontecimento não ter sido levado em consideração na escolha do tema do Enem 2016, que já ocorreu no 1º semestre do ano, pode servir de argumentação (ou contra argumentação) na redação cujo tema trate do esporte.

Espero que todos vocês aproveitem essas dicas, treinem bastante e tenham muito sucesso na redação do Enem 2016!!!!!

P.S. No dia 25/07/16, já foi postado neste blog um tema de aborda a necessidade de se investir em esportes nas escolas brasileiras. Deem uma olhadinha!! Nessa postagem foi disponibilizado um modelo de redação estilo Enem sobre o assunto!!!



PROPOSTA DE REDAÇÃO – PREPARAÇÃO PARA O ENEM 


A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO em NORMA PADRÃO da língua portuguesa sobre o tema “A CONTRIBUIÇÃO DO ESPORTE PARA A EDUCAÇÃO E A INCLUSÃO SOCIAL NO BRASIL”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

TEXTO 01:

19/06/2014
Esporte e educação: caminhos para transformação e inclusão social

A educação que uma criança recebe em seus primeiros anos é um legado que é levado por toda sua vida. Cada ensinamento, por mais simples que seja, é a semente que irá brotar no coração dos futuros cidadãos de nossa sociedade. O esporte é um excelente caminho para a criança ocupar a mente e desenvolver o corpo. É essencial para o crescimento da criança como um todo. Uma criança que pratica esporte apende a trabalhar em equipe e compreende a importância do próximo no convívio social.
O esporte tem a capacidade de integrar crianças e jovens das comunidades na sociedade, transformar suas vidas e reduzir os preconceitos e estereótipos. A prática esportiva faz com que tenham uma melhor autoestima e se sintam capazes e integrados socialmente. Quando um jovem sente-se fracassado na busca por um emprego, ou no aprendizado escolar, representa uma porta aberta para os caminhos errados, e o esporte, juntamente com a educação, evita que esse jovem tenha sua vida aliciada pelas vias do crime, oferecendo um futuro mais digno e humano. (...)

* Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio.


TEXTO 02: 


TEXTO 03:

Educação e esportes: poderosas ferramentas de integração

A prática de esportes não é apenas um símbolo de cuidado com a saúde. Os esportes têm sido, cada vez mais, uma ferramenta de integração e inclusão social. Nos últimos anos é expressivo o aumento de alunos e de projetos esportivos destinados aos jovens das classes populares, financiados ou não por instituições governamentais e privadas. Durante a prática esportiva, crianças e jovens aprendem muito mais que as técnicas que envolvem o esporte. Aprende-se a ter respeito pelas regras e pelos outros jogadores, agregam-se o entendimento, o convívio com o coletivo, a resoluções de conflitos, o esforço e responsabilidade. 
Nesse contexto, vale ressaltar que o esporte, quando aliado à educação, é uma poderosa ferramenta da proteção social e resgate de crianças e jovens em situação de risco, pois, quando não estiverem na escola, diminuindo o ócio e evitando o risco de estarem nas ruas, convivendo e aprendendo “o que não devem”. Entretanto, é preciso entender o esporte, acima de tudo, como um instrumento pedagógico capaz de agregar valor à educação, ao desenvolvimento das individualidades, a formação pessoal para a cidadania e a orientação para a prática social. Já a educação propriamente dita, através da escrita, da leitura, da sala de aula, tem a capacidade de formar o indivíduo para participar da vida política, econômica e social das cidades, estados e do país. Precisamos entender que o papel decisivo do esporte, junto à educação, é a busca por princípios e valores sociais, morais e éticos.


Instruções:
1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
3. A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
4. A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
5. A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.
6. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (21) E DICA DE TEMA BOMBÁSTICO (1)




Um dos temas mais cotados para a prova de redação do Enem 2016 é a questão da INCLUSÃO.

É difícil apostar em um único tema, mas, se eu tivesse de escolher apenas um, certamente, a minha escolha seria a inclusão, por diversos motivos. Dentre eles posso citar:

- Esse assunto ganhou destaque devido ao fato de a LEI (Lei Brasileira de Inclusão) ter entrado em vigor em janeiro deste ano, depois de passar 15 anos tramitando no Congresso Nacional. 
- Como sabemos, nas últimas edições do Enem, os temas sociais têm sido os preferidos dos elaboradores do exame e o assunto da inclusão, com certeza, merece toda atenção de quem está prestes a realizar o Enem, pois é um tema de muita relevância social.
- Além disso, ainda podemos salientar que os últimos temas que caíram tiveram alguma relação com regulamentações ou leis que entraram em vigor no Brasil, portanto esse é muito cotado.
- Outro fato que contribui para a defesa de que esse tema é uma grande aposta para este ano é o destaque que a questão da inclusão social e dos deficientes teve nas Olimpíadas do Rio 2016, principalmente com relação às mensagens passadas ao público mundial durante a abertura dos jogos.

DICA: PESQUISEM E ESCREVAM REDAÇÕES QUE TRATEM DO TEMA DA INCLUSÃO: SOCIAL, DOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA E DOS IDOSOS.

PROPOSTA DE REDAÇÃO – PREPARAÇÃO PARA O ENEM
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO em NORMA PADRÃO da língua portuguesa sobre o tema “A INCLUSÃO DAS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIAS NA SOCIEDADE BRASILEIRA”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

TEXTO 01:
Entra em vigor a Lei Brasileira de Inclusão
Antes conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, nova lei tramitou no Congresso por 15 anos e passou a valer 180 dias após a sanção, garantindo direitos nas áreas de trabalho, saúde, educação e infraestrutura das cidades
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI - Lei 13.146/15) entrou em vigor no último sábado (02/01). A nova legislação garante mais direitos às pessoas com deficiência e prevê punições para atos discriminatórios. Dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 45,6 milhões de pessoas afirmaram ter algum tipo de deficiência, o que representa 23,9% da população brasileira.
Entre os direitos garantidos pela nova lei para atender a essa parcela da população, estão a oferta de profissionais de apoio escolar em instituições privadas, sem custo para as famílias, a acessibilidade para pessoas com deficiência em 10% da frota de táxis e o auxílio-inclusão, benefício de renda complementar ao trabalhador com deficiência que ingressar no mercado de trabalho.
A lei também prevê punições como a detenção de dois a cinco anos para quem impedir ou dificultar o ingresso da pessoa com deficiência em planos privados de saúde e a quem negar emprego, recusar assistência médico-hospitalar ou outros direitos a alguém, em razão de sua deficiência.
A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), relatora da proposta na Câmara, salientou os benefícios da lei em vigor. “É um ganho para o Brasil, tanto para o segmento da pessoa com deficiência como para toda a população. Ao promover esse protagonismo da pessoa com deficiência no Brasil, você acaba alavancando todos os setores, já que a lei dispõe sobre trabalho, saúde, educação e sobre infraestrutura das cidades.” (...)

TEXTO 02:



texto 03:
JORNAL - DEFICIÊNCIA 01/04/2016
Praia de Iracema passa a ter estrutura acessível
O projeto Praia Acessível quer mostrar às pessoas com mobilidade reduzida que elas podem ir a todo lugar. Cadeirantes, idosos, obesos e pessoas com deficiências têm estrutura segura para banho de mar

Com os braços para cima, Regiane Athayde, 50, a Gigi, comemorava: entrou no mar depois de seis anos sem contato com a água salgada. “É muito bom se banhar aqui novo”, gritava. O afastamento ocorreu por causa de um acidente que a deixou tetraplégica em 2010. “Antes do acidente, eu tomava banho exatamente aqui, nesse mar, quase todos os fins de semana”, recordou-se, emocionada, na Praia de Iracema. Agora, Gigi terá a possibilidade de voltar à rotina com o projeto Praia Acessível, lançado ontem.
Iniciativa que é parceria dos gabinetes das primeiras-damas do Município e do Estado, o Praia Acessível tem mais que uma esteira e dez cadeiras anfíbias, mas a possibilidade de acesso ao mar para pessoas com deficiência, idosos e obesos. Prevista inicialmente para custar R$ 200 mil, a ação foi ampliada com piscinas móveis, área para vôlei adaptado e tendas de acesso, e custou R$ 400 mil. O projeto é desmontável e deve funcionar de quarta a domingo. Na alta estação, o funcionamento será diário.
A condução da pessoa com dificuldade de locomoção na água se dá por poltronas flutuantes (as cadeiras anfíbias) e que não afundam na areia. Os cadeirantes devem ser conduzidos até um toldo (zona de transposição) de onde serão levados até a água em um corredor sobre a areia. (...)

Angélica Feitosa
http://www.opovo.com.br/app/opovo/cotidiano/2016/04/01/noticiasjornalcotidiano,3596753/praia-de-iracema-passa-a-ter-estrutura-acessivel.shtml

 INSTRUÇÕES:
·         O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
·         O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
·         A redação com até 7 linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
·         A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
·         A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.
·         A redação que apresentar cópia dos textos motivadores da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.

sábado, 10 de setembro de 2016

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (20) E DEBATE DE IDEIAS (2)


Um assunto muito discutido no momento é a questão da flexibilização das leis trabalhistas. De acordo com notícias e com o pronunciamento do ministro do trabalho, serão propostas algumas mudanças que abrirão espaço para uma maior negociação entre empregado e patrão a respeito de direitos trabalhistas já garantidos por lei. Para que vocês consigam formar melhor a opinião sobre essa temática polêmica, posto no blog hoje, além da proposta de redação, a seção do Jornal O Povo, denominada Confronto de Ideias, em que dois convidados tecem seus comentários opostos sobre um assunto que está em destaque na sociedade. A análise de pontos de vista diferentes é importantíssima para que possamos compreender os argumentos utilizados por cada representante e, assim, possamos tirar as nossas conclusões e formar a nossa própria opinião a partir de uma argumentação consistente. Vocês não podem deixar de fazer essa atividade de leitura, compreensão, análise e produção de texto!!!

                          PROPOSTA DE REDAÇÃO – PREPARAÇÃO PARA O ENEM

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO em NORMA PADRÃO da língua portuguesa sobre o tema “FLEXILIZAÇÃO DAS LEIS TRABALHISTAS BRASILEIRAS: UMA SAÍDA PARA A CRISE OU UM RETROCESSO NAS CONQUISTAS?”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

TEXTO 01:
Reforma trabalhista prevê contrato por produtividade e jornada de até 12 horas
O governo também pretende limitar a jornada de trabalho a 48 horas semanais (44h regulares e 4h extras), com um teto de 12 horas diárias

A reforma trabalhista que será proposta pelo governo do presidente Michel Temer poderá ampliar as modalidades permitidas de contrato formal de trabalho. Hoje, o único formato possível é o que prevê jornada de trabalho, mas estão sendo aventados outros dois tipos: por horas trabalhadas ou por produtividade. O governo também pretende limitar a jornada de trabalho a 48 horas semanais (44h regulares e 4h extras), com um teto de 12 horas diárias.
A principal mudança neste caso seria em relação à jornada diária, que hoje é limitada a 8 horas, mas, pela proposta, poderá ser estendida para 12 horas, respeitada a jornada de 48 horas semanais prevista na legislação corrente, segundo o Ministério. Os planos do governo foram detalhados nesta quinta-feira, 8, pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, durante encontro de sindicalistas da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), em Brasília.
"Vamos colocar freios na lei com teto de jornada em 48h semanais, sendo até 12h diárias", disse o ministro. Segundo ele, a reforma trabalhista vai assegurar que as convenções coletivas possam estabelecer como se dará a divisão de horas ao longo da semana. As entidades, no entanto, não terão poder de decidir sobre aumento ou redução da jornada. "Juízes são legalistas, julgam pelo que está explícito na lei. Não dá para ignorar que temos CLT, Constituição, normas e súmulas", disse. (...)



TEXTO 02:


TEXTO 03:

Reforma

Flexibilização das leis trabalhistas entra na pauta do governo interino, diz jornal
De acordo com O Globo, Michel Temer quer fazer mudanças para aumentar a produtividade da economia e reduzir os custos dos empresários em novos investimentos

Além das mudanças na Previdência, o governo do presidente interino Michel Temer pretende colocar em prática uma reforma trabalhista, conforme publicou o jornal O Globo neste domingo. A intenção é flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por acordos coletivos, para fomentar a produtividade da economia e reduzir os custos dos empresários em novos investimentos. A medida polêmica, contudo, segundo a publicação, deve manter os direitos assegurados aos trabalhadores pela Constituição.
De acordo com O Globo, a proposta de Temer deve restringir as negociações coletivas à redução de jornada e de salários. Acordos relativos às normas de segurança e saúde dos trabalhadores devem ficar de fora. Assim, FGTS, férias, Previdência, 13° salário, licença-maternidade, entre outros benefícios, serão flexibilizados.
As partes, empregadores e sindicatos das categorias, poderão colocar em negociação, por exemplo, o parcelamento do 13° salário e a redução do intervalo de almoço de uma para meia hora, com alguma contrapartida para os funcionários. O tempo gasto no transporte que contar como jornada de trabalho (nos casos em que a empresa oferece condução) também poderá ser objeto de negociação, segundo o jornal.
Conforme publicou O Globo, a conclusão da votação do projeto que trata da terceirização também faz parte da proposta da reforma trabalhista. O texto, que já foi aprovado pela Câmara e agora está no Senado prevê a contratação de trabalhadores terceirizados em atividades-fim, o que não é permitido atualmente.
O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira (PTB-RS), já iniciou as discussões sobre a medida com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra Filho, defensor da flexibilização das leis trabalhistas. A ideia, segundo o jornal, é ampliar a todos os setores da economia acordos que foram realizados pela Corte para algumas categorias do mercado, que preservaram direitos básicos, fazendo, assim, uma alteração na CLT. (...)
Entre os acordos de flexibilização que contam com o respaldo da Constituição, de acordo com o TST, estão a redução nas horas de transporte, dos intervalos intrajornada, cálculo do adicional noturno e redução do intervalo de almoço.



JORNAL O POVO: CONFRONTO DAS IDEIAS (02/09/2016)

A proposta de reforma trabalhista que está sendo produzida pelo Palácio do Planalto prevê a flexibilização de direitos dos trabalhadores assegurados pela Constituição Federal. Alguns dos itens estudados para a reforma causam mais polêmica, como o parcelamento do pagamento das férias e 13º salário. Afinal, a reforma, como está sendo pensada, trará perdas para o trabalhador?


SIM
Flexibilizar ou alterar as leis trabalhistas brasileiras, que estão referendadas pela nossa Constituição Federal de 1988, constitui uma verdadeira afronta à classe trabalhadora de nosso país. Não podemos aceitar que, sob o pretexto de solução para a crise econômica, se penalizem os mais vulneráveis. Sabemos que o trabalhador está em desvantagem na relação patrão e empregado. Sabemos ainda que medidas como as que estão sendo propostas aprofundam essa situação.
Basta tomar como exemplo a situação dos trabalhadores terceirizados, que recebem salários 24,7% menores na comparação com os efetivos, permanecem na posição por metade do tempo e enfrentam jornadas maiores. Além disso, segundo dados da CUT, em dossiê público em parceria com o Dieese: de cada 10 trabalhadores que sofrem doenças profissionais ou acidentes de trabalho, oito são terceirizados; de cada cinco que acionam a Justiça cobrando direitos desrespeitados, quatro são terceirizados. (Documento completo disponível na internet: migre.me/uSjIZ)
Outra situação que prejudica os trabalhadores seria a prevalência do negociado sobre o legislado, pois perderíamos a referência de um parâmetro mínimo estabelecido pela lei. Nessa perspectiva, surgem outras perguntas: quem ganha com a reforma? O patrão – que reduz seu custo, aumentando sua produtividade e consequentemente faz crescer ainda mais sua margem de lucro, que já não é pequena? Ou o trabalhador – que se submeterá às propostas para trabalhar mais ganhando o mesmo ou menos?
Por isso, projetos que defendem retrocessos atacando as conquistas e garantias previstas na consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – aumento de jornada, parcelamento de 13º terceiro salário, fim do 1/3 de férias e outros da mesma natureza, como é o caso do que defende a terceirização na atividade fim – devem ser rechaçados por todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, pois trazem perdas irreparáveis para nossa classe.

 "Não podemos aceitar que,  sob o pretexto de solução para a crise econômica, se penalizem os mais vulneráveis"

Hernesto Cavalcante Luz (imprensa@cutceara.org.br)
 Membro da Direção Executiva da Central Única dos Trabalhadores no Ceará (CUT-CE) e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual do Ceará (Mova-se)


NÃO
A reforma na legislação trabalhista brasileira é mais do que necessária. Manter a atual regulamentação das relações individuais e coletivas de trabalho é manter um sistema ultrapassado, que não se coaduna com o Estado Democrático de Direito, com um mundo de economia globalizada e com os impactos da tecnologia nas relações laborais.
O Governo Temer anunciou a “reforma”, mas ainda não há nada de concreto, a não ser o desejo de se regulamentar a terceirização – cujo projeto já tramita no Congresso – e a tendência de se valorizar a negociação coletiva trabalhista, com a “prevalência do negociado sobre a lei”. E só.
Há muita especulação e desinformação. Propagam o fim de direitos, a precarização, a “dissolução” do direito do trabalho etc. Não é nada disso! Ao contrário, o que se pretende é um “update” da dogmática jurídica laboral, uma “refundação”, para adaptação às novas e multifacetadas realidades democrática e econômica.
Uma verdadeira reforma demanda um amplo e profundo diálogo tripartite, em nível de concertação social. Demanda a imprescindível e prévia reforma sindical, para se adotar a plena liberdade e a valorização da autonomia privada coletiva, tão importante no Estado Democrático de Direito, o qual valoriza os atores sociais e promove o protagonismo regulatório negociado.
A reforma deve tornar a legislação trabalhista menos rígida, imperativa e detalhista, cedendo espaço para uma legislação mais dispositiva, principiológica e genérica, cabendo aos próprios interessados, por meio de sua representação sindical, indicar o conteúdo regulatório das relações, como é exemplo o direito à participação nos lucros e resultados, garantido na Constituição e na Lei, mas é a negociação coletiva que vai decidir se vai pagar ou não, o que pagar, quando pagar etc.
É preciso coragem, diálogo e transparência. A reforma deve conciliar família e trabalho, promover os direitos fundamentais de trabalhadores, a negociação coletiva e o empreendedorismo empresarial.

 "Há muita especulação e desinformação. Propagam o fim de direitos, a precarização etc. Não é nada disso!"

Eduardo Pragmácio Filho
pragmacio.filho@furtadopragmacio.com.br
Mestre em Direito do Trabalho pela PUC-SP