terça-feira, 20 de junho de 2017

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (31)




PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO em NORMA PADRÃO da língua portuguesa sobre o tema “O CONSUMISMO DESENFREADO E A VALORIZAÇÃO DO TER NO SÉCULO XXI” apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

TEXTO I
A ERA DO CONSUMISMO DESENFREADO

Todas as pessoas precisam consumir a fim de satisfazer suas necessidades básicas para a sobrevivência. O consumo apresenta-se como atividade natural e saudável, quando praticada de forma consciente e dentro do necessário, sendo assim indispensável. Até então, nenhuma novidade. O fato é que esta aquisição de bens vem, de longa data, sendo feita de maneira desenfreada pelos diversos segmentos da sociedade a ponto de abalar as estruturas financeiras das pessoas. O ser humano, eterno insatisfeito por excelência, apresenta-se sempre com uma vontade a ser saciada, enquanto isso não acontece, o descontentamento é inevitável, então, quando o desejo é satisfeito, a vontade cessa por pouco tempo dando lugar a uma outra vontade. Dessa maneira o sujeito tende a uma satisfação superficial e imediata de seus conflitos interiores que se apresentam sintomaticamente através do consumismo. (...)
Por GEOVANI SANDRIN

Disponível em http://admacontece.no.comunidades.net/a-era-do-consumismo-desenfreado. Acesos em 20/06/2017, às 23:17.

TEXTO II



TEXTO III

Sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
A VALORIZAÇÃO DO "TER"
      
            (...) O mais peculiar quanto ao consumismo é que, além de todos quererem cada vez mais ter e ter, todas as pessoas querem ter as mesmas coisas. O desejo da maioria acaba direcionado para determinados commodities. Pode ser um item específico ou uma marca. E, na maioria das vezes, o que é desejado não é necessidade e não vai mudar a vida da pessoa de nenhuma forma efetiva ou crucial. Se pararmos para pensar, a cada dia acumulamos mais e mais lixo em nossas casas que, de início eram a última moda, e agora não servem para mais absolutamente nada. Não precisávamos daquilo, compramos para atender um desejo, atendido o desejo a coisa se torna obsoleta. (...)
Por João Victor Rabello
Disponível em http://ideologiaobsoleta.blogspot.com.br/2010/01/valorizacao-do-ter.html. Acesso em 23/05/2017, às 15:18.

TEXTO IV

BAUMAN E A SOCIEDADE DE CONSUMIDORES: A TRANSFORMAÇÃO DAS PESSOAS EM MERCADORIA

A identidade como um valor de mercado

O ser humano, na vida em sociedade, interage com os outros e o seu ambiente. Assim, é vital, para que ele sobreviva neste espaço, que seja reconhecido como parte integrante desse meio social. Como, então, se dá na modernidade líquida a aceitação e o reconhecimento de um indivíduo como membro integrante da sociedade? Para Bauman, a sociedade de consumidores “representa o tipo de sociedade que promove, encoraja ou reforça a escolha de um estilo de vida e uma estratégia existencial consumistas, e rejeita todas as opções culturais alternativas” (BAUMAN: 2008 p. 71). (...)




sexta-feira, 9 de junho de 2017

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (30)



PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO em NORMA PADRÃO da língua portuguesa sobre o tema “O COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL” apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

TEXTO I
VIOLAÇÕES DE DIREITOS NO ESPAÇO FAMILIAR LIDERAM REGISTROS NO CEARÁ
Em 2015, nos municípios cearenses, a cada 10 notificações sobre riscos da população infantojuvenil, seis foram no ambiente doméstico 

Descrição: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/logger/p.gif?a=1.1619045&d=/2.187/2.188/2.759/2.806
Não ter garantido o cuidado com a saúde e a alimentação, ser abandonado pelos familiares, não receber pensão alimentícia, conviver em um ambiente violento, sofrer violência física e psicológica. Situações graves que, muitas vezes, se entrecruzam na vida de crianças e adolescentes. Direitos previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que na prática são sistematicamente violados. Segundo, a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), em 2015, a cada 10 violações contra crianças e adolescentes, seis ocorreram no ambiente familiar.
Em vigor desde 1990, o ECA estabeleceu, para a população infanto-juvenil, além do direito à Convivência Familiar, os direitos à Profissionalização e Proteção no Trabalho, à Educação, Cultura, Esporte e Lazer e à Liberdade, Respeito, Dignidade. No Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia) - que reúne os registros dos Conselhos Tutelares do Brasil - as violações relacionadas à convivência familiar superam as ligadas aos demais direitos.
No Ceará, conforme a STDS, o mapa de risco social do Estado de 2015- baseado nas informações enviadas pelos municípios sobre os casos notificados -, aponta que dos 21.665 registros, 14.608 (67,4%) foram de violações que ferem a convivência familiar. Negligência, violência física e psicológica no âmbito doméstico, abandono, cárcere privado e ruptura de vínculos integram a lista de violações. (...)


TEXTO II
LEI MENINO BERNARDO AMPLIA REDE DE PROTEÇÃO A CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Por Marina Domingos | 11/11/2014

Na semana passada, o caso do menino Jonathan Neres, de 12 anos, morto pelo pai por espancamento, em Riberão Preto (SP), chamou a atenção de todo o país sobre maus-tratos a crianças e adolescentes. No Senado, acabava de ser aprovado o projeto de lei que determina que entidades que atendem crianças e adolescentes tenham pessoas capacitadas para reconhecer maus-tratos e denunciá-los (PLS 417/2007).
A história de outro menino, Bernardo Boldrini, de 11 anos, inspirou a aprovação de uma lei importante na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes, a Lei 13.010/2014, que recebeu o nome de Lei Menino Bernardo em homenagem a ele.
O corpo de Bernardo foi encontrado em abril deste ano enterrado às margens de uma estrada em Frederico Westphalen (RS). O pai e a madrasta são suspeitos de terem participação na morte do garoto.
A lei estabelece que a criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante. E não só pelos pais, mas também pelos integrantes da família, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los.
A coordenadora da Rede Não Bata, Eduque, Márcia Oliveira, trabalha na conscientização de pais e profissionais sobre a violência contra a criança e o adolescente. Ela defende a lei como forma de combater um problema que é cultural:
— Nós acreditamos que a Lei Menino Bernardo vai servir para o enfrentamento dessa questão cultural, como a Lei Maria da Penha serve e é um importante instrumento para a defesa das mulheres — afirma.

TEXTO III

domingo, 4 de junho de 2017

ATIVIDADE DE COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO


ATIVIDADE DE COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

GREVE GERAL É O ÚNICO DIREITO QUE NOS RESTA
                                                
Em nome de um fóssil de ideal liberal individualista, o moderno direito social coletivo do trabalho tem sido desconstruído e flexibilizado. Quando todo o conjunto de garantias fundamentais dos trabalhadores é posto em xeque, coloca-se em risco a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, que tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social. Se o Estado Democrático de Direito não é capaz de garantir um patamar mínimo civilizatório, o que esperar do negociado sobre o legislado? Salve-se quem puder!
O conflito entre capital e trabalho é muito mais antigo do que as normas trabalhistas, que nada têm de revolucionárias, muito pelo contrário, funcionam como um lubrificante da máquina de exploração capitalista. Quando faltam direitos, a máquina pode parar, daí surgem as greves. Assim foi no início do século XIX, quando na Place de Greve, em Paris, às Margens do Rio Sena, os trabalhadores decidiram cruzar os braços contra a exploração do trabalho, e anos mais tarde, em 1º de maio de 1886, quando os trabalhadores norte americanos da cidade de Chicago se mobilizaram em uma greve geral que inspirou o dia internacional em defesa dos direitos trabalhistas.
Parece auspicioso que, justamente às vésperas desta data simbólica do poder operário, seja aprovada uma reforma trabalhista que precariza suas condições de vida e degrada o meio ambiente do trabalho. Ora, dizer que aumentar a jornada de trabalho é sinônimo de liberdade é subjugar a inteligência da classe trabalhadora que sabe bem o valor da sua hora de serviço, embora desconheça o conceito marxista de mais-valia. Despencamos de um patamar em que a bandeira dos sindicatos era a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, o que garantiria a geração de milhares de novos empregos, para uma posição de resistência contra a conversão de horas extraordinárias em habituais, o fim dos intervalos intrajornadas e das horas in itinere.
Não se pode deixar de fazer a mea culpa em parte do movimento sindical, que nos últimos anos apostou na judicialização da luta de classes, e ao invés de mobilizações e greves, concentrou esforços em dissídios coletivos, o que em certa medida motivou o ativismo do Poder Judiciário em regulamentar questões trabalhistas com base na jurisprudência. Todavia, é importante ressaltar que o texto apresentado da Reforma Trabalhista contesta a grande parte das interpretações jurisprudenciais consolidadas ao longo dos últimos 20 anos pelo TST, expressando a desarmonia entre o poder legislativo e judiciário. Caberá, entretanto, ao Judiciário apreciar a inconstitucionalidade da reforma proposta, caso aprovada. Mas não se pode esperar muito da Suprema Corte em favor dos trabalhadores, tendo esta trilhado o caminho da desconstitucionalização dos direitos trabalhistas, inclusive do direito de greve dos servidores públicos.
Historicamente, a retirada de direitos nunca significou desenvolvimento econômico, ao contrário, a grande massa de consumidores é composta por trabalhadores, tendo sido justamente a ascensão da classe média proletária que alavancou o último ciclo de desenvolvimento econômico e social do país. Na verdade, a classe política, patrocinada pelas elites financeiras, sem qualquer amplo debate com a sociedade, se aproveita da crise econômica para implementar às pressas suas reivindicações, diga-se de passagem, muito mais ultrapassadas que a CLT. Até Adam Smith estranharia tais medidas, uma vez que segundo sua filosofia “o que melhora as circunstâncias da maior parte nunca pode ser considerado um inconveniente para o todo”.
As centrais sindicais estão convocando greve geral para o dia 28 de abril. Se o primeiro de abril serviu para reforçar as mentiras que estão sendo marcadas na história de nosso país, que essa data possa servir para resgatar a dignidade da classe trabalhadora e fazer valer a greve enquanto um direito legítimo e ao mesmo tempo enquanto fonte material de direitos trabalhistas. Greve geral!
Lucas Ribeiro Prado é bacharel em Direito.


01. O texto em análise pode ser classificado como
a) editorial, porque representa a opinião da empresa jornalística sobre as reformas trabalhistas.
b) carta aberta, porque representa a opinião de um cidadão que tem como destinatário o governo.
c) crônica reflexiva, porque o autor usa de subjetividade, sutileza e ironia sobre as reformas trabalhistas.
d) resenha crítica, porque o autor comenta criticamente sobre um livro que fala sobre os direitos trabalhistas.
e) artigo de opinião, porque o autor emite a sua opinião e indignação sobre as reformas trabalhistas.

02. Ao ler a introdução do texto, pode-se perceber que a posição do autor sobre a reforma trabalhista que o atual governo deseja aprovar e implantar no Brasil é
a) a favor, pois cita os benefícios que as reformas podem promover na economia.
b) contra, porque o autor defende a luta do povo pela não aprovação das reformas trabalhistas.
c) parcialmente a favor, porque concorda com alguns aspectos e discorda de outros.
d) parcialmente contra, pois destaca os aspectos negativos que a reforma irá trazer aos trabalhadores.
e) neutro, pois o autor não apresenta uma posição definida, apenas mostra os dois pontos de vista.

03. Em alguns momentos do texto, o autor faz uso de palavras expressões que marcam a sua opinião e caracterizam a força argumentativa do seu discurso. Para exemplificar isso, aponte a alternativa que apresenta algumas dessas expressões.
I. “Em nome de um fóssil de ideal liberal individualista,...”
II. “...os trabalhadores decidiram cruzar os braços contra a exploração do trabalho...”
III. “Mas não se pode esperar muito da Suprema Corte em favor dos trabalhadores...
IV. “As centrais sindicais estão convocando greve geral para o dia 28 de abril.”
V. “...seja aprovada uma reforma trabalhista que precariza suas condições de vida...”

a) Os itens I, II e V.
b) Os itens II, III e V.
c) Os itens I, III e IV.
d) Os itens II, IV e V.
e) Os itens I, II e IV.

04. Quais estratégias de argumentação e persuasão o autor usa para defender o seu ponto de vista?

I.    (     ) Cita dados estatísticos
II.   (     ) Faz referência histórica
III.  (     ) Compara épocas diferentes
IV.  (     ) Faz referência filosófica
V.   (     ) Compara comportamentos diferentes
VI.  (     ) Faz referência literária
VII. (     ) Cita exemplos de outros países
VIII. (     ) Fornece exemplos do cotidiano
IX.  (     ) Utiliza conhecimentos de biologia
X.   (     ) Utiliza perguntas retóricas para gerar reflexão no leitor.

05. Agora, exemplifique, a partir de trechos do artigo, as estratégias argumentativas utilizadas pelo autor que você assinalou na questão 4.






06. O uso de conjunções é essencial para a construção da coesão textual haja vista que, sem elas, as ideias não teriam relação umas com as outras e a compreensão do texto ficaria comprometida. Sendo assim, ao analisar os períodos a seguir, indique a alternativa que classifica adequadamente as conjunções destacadas com base nas ideias que transmitem.

I. “Todavia, é importante ressaltar que o texto apresentado da Reforma Trabalhista contesta a grande parte das interpretações jurisprudenciais...”
II. “...embora desconheça o conceito marxista de mais-valia. Despencamos de um patamar em que a bandeira dos sindicatos era a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais,...”

a)duas conjunções concessivas.
b) adversativa e comparativa.
c) comparativa e concessiva.
d) adversativa e concessiva.
e) duas conjunções adversativas.

07. No período “Quando faltam direitos, a máquina pode parar, daí surgem as greves”, a expressão “daí” pode ser substituída pela conjunção......................., do tipo .....................................

a) embora – concessiva.
b) em contrapartida – adversativa.
c) então – conclusiva.
d) finalmente – final.
e) em consequência – consecutiva.

08. “Em nome de um fóssil de ideal liberal individualista...”, o termo grifado assume um significado diferente do seu usual e foi usado no contexto para indicar que
a) o ideal liberal individualista é injusto.
b)o ideal liberal individualista é equivocado.
c) o ideal liberal individualista está em transformação.
d) o ideal liberal individualista está ultrapassado.
e) o ideal liberal individualista está avançado.

09. Em “...fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, que tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social”, a palavra “ditames” pode ser substituída por qual outra palavra que mantenha o mesmo sentido?
a) Alternativas.
b) Preceitos.
c) Determinações.
d) Dogmas.
e) Indícios

10. Em “Ora, dizer que aumentar a jornada de trabalho é sinônimo de liberdade é subjugar a inteligência da classe trabalhadora que sabe bem o valor da sua hora de serviço...”, o vocábulo “subjugar” foi empregado com o sentido de
a) poupar.
b) ignorar.
c) valorizar.
d) enfrentar.
e) menosprezar.






GABARITO: 01. E/ 02. B/ 03. A/ 04. 05. 06. D; 07. E; 08. D; 09. B; 10. E

sexta-feira, 26 de maio de 2017

GÊNERO TEXTUAL: ARTIGO DE OPINIÃO (EXEMPLO)

GÊNERO TEXTUAL: ARTIGO DE OPINIÃO

A corrupção enraizada

Disponível em http://www.planetaeducacao.com.br/portal/impressao.asp?artigo=391. Acesso em 27/05/2017, às 00:26.

Uma chaga cancerosa está dizimando as riquezas do país e a qualidade de vida do povo brasileiro. A corrupção que invade nossas casas, que está em nosso trabalho, e que adentra sorrateiramente nos postos de saúde, nas escolas, nas repartições, nas delegacias, nos juizados, nas ruas, corrói a moral, a ética, o caráter das pessoas, impossibilitando um maior e melhor desenvolvimento econômico e a verdadeira justiça social.

É aterrorizante ver que a corrupção está presente em nosso cotidiano como uma doença contagiosa, que se espalha de modo rápido e assustador, destruindo a dignidade humana e provocando um sofrimento imensurável naqueles que se tornam suas vítimas. Quem pratica a corrupção desconhece qualquer resquício de respeito, remorso, consideração ou até mesmo piedade para com próximo, pensa exclusivamente em suas ambições, em seus interesses e em seu egoísmo. A ganância cega as pessoas de tal forma, que elas ficam desprovidas de consciência crítica e social,tornando-se capazes de desviar recursos financeiros que deveriam melhorar a educação, a saúde, a segurança, a moradia, com coragem de roubar até leite de crianças desnutridas, medicamentos de doentes graves e muito mais.

Todos os dias somos atingidos por notícias-bomba de casos de corrupção, que envolvem todas as esferas do poder público, o setor privado e a própria população, que, através de pequenas atitudes corruptas, corrompe-se e corrompe outras pessoas, de modo vergonhoso e repugnante. Essa atitude desprezível está presente no nosso cotidiano, em ações que, por terem se tornado tão rotineiras, parecem normais, como colocar um amigo, que chegou depois, na sua frente em uma fila, pagar propina ao policial para não receber uma multa, pagar mais caro para seu sapato ser consertado primeiro. Enfim, são comportamentos ilícitos que se disseminam pela sociedade e que exaltam a vantagem a qualquer custo, a “esperteza” e a enganação, como se fossem boas qualidades e aqueles que se negam a praticá-los, ainda são considerados errados, bobos, ingênuos e, porque não dizer, burros.

Como podemos lutar contra a corrupção no Brasil, se nós mesmos a praticamos diariamente? Um pai não pode exigir de um filho que não fume, se ele próprio fuma e, pior, desde cedo pedia para que a criança lhe acendesse um cigarro. Não podemos cobrar atitudes, exigir investigações e clamar por punições, se não fazemos a nossa parte. Primeiramente, devemos conscientizar-nos, mudar verdadeiramente o nosso comportamento no dia a dia, primando sempre pela justiça e pela igualdade de condições para todos, independente de ser rico ou pobre. Depois, é imprescindível pensarmos, com sensibilidade, no outro e colocarmo-nos em seu lugar, pois, compreendendo o sofrimento das pessoas, podemos lutar com mais força por aquilo que é justo. Por último, depois de todo um processo de reflexão e conscientização, é que poderíamos cobrar das autoridades e dos governantes atitudes concretas e honestas contra a corrupção, através de investigações sérias e punições severas. Um povo instruído e educado não permite ser enganado e, muito menos, que suas riquezas sejam roubadas descaradamente, prejudicando o presente e impossibilitando um futuro.


Suziane Brasil Coelho
Professora de Língua Portuguesa

sexta-feira, 19 de maio de 2017

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (29)



PROPOSTA DE REDAÇÃO – PREPARAÇÃO PARA O ENEM

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO em NORMA PADRÃO da língua portuguesa sobre o tema "CORRUPÇÃO NO BRASIL: UM PROBLEMA ENRAIZADO E CULTURAL OU UM DESVIO INDIVIDUAL DE CARÁTER?", apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

TEXTO I:
Jornal O povo - 23/03/2014
DE GRÃO EM GRÃO
Furar fila, colar na prova e sentar em assentos reservados são alguns atos que tornam o país mais corrupto, afirmam especialistas

Aprender é mudar posturas. Essa foi uma lição dos gregos, especificamente de Platão. Mas, no País do “jeitinho”, levante a mão quem nunca furou fila? Ou colou na prova? Pois estas são algumas das dez posturas que entram na campanha intitulada “Pequenas Corrupções - Diga Não”, lançada pela Controladoria-Geral da União (CGU) na rede social Facebook. O Órgão do Governo Federal, que é responsável por fiscalizar o patrimônio público, veiculou uma imagem com dez mensagens, que focam em atitudes antiéticas, ou ilegais, do cotidiano da sociedade brasileira.
 Entre as atitudes citadas pela CGU, estão as ações de falsificar carteirinha de estudante, roubar TV a cabo, comprar produtos piratas e tentar subornar o guarda de trânsito para evitar multas. “Cada qual faz a corrupção que pode fazer: deixar de pagar o imposto de renda, não respeitar os direitos trabalhistas da empregada doméstica, estacionar em lugar proibido, passar no sinal vermelho... Tudo isso é uma forma de tirar vantagem da situação”, analisa o professor de Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), André Haguete.
Entendendo corrupção como “tudo aquilo que vai contra a lei ou age a favor de interesses particulares em detrimento dos coletivos”, Haguete concorda que todas essas atitudes possam ser consideradas “corruptas”, mesmo que seja em pequena escala. Para o docente, o tema se relaciona com o “caráter de cada pessoa e uma ética cívica coletiva”.
Para a chefe da Assessoria de Comunicação Social da CGU, Thaisis Barboza, responsável pela concepção e criação da campanha, corrupção representa qualquer ato que gera algum benefício próprio, de forma indevida. “Furar fila não é o mesmo que desviar dinheiro público, mas entendemos que é uma forma de corrupção, mesmo que seja em um grau menor”, explica. (...)


TEXTO II


Disponível em http://www.r2cpress.com.br/v1/2011/10/30/charges-sobre-a-corrupcao/. Acesso em 19/05/2017, às 23:44.


TEXTO III:
Jornal O Povo - HISTÓRIA E POLÍTICA 22/03/2015

A CORRUPÇÃO NO BRASIL ANTES DA REPÚBLICA
O Brasil ainda nem existia como país e já proliferavam o enriquecimento ilícito, o assalto ao patrimônio público e os favorecimentos indevidos

Conforme a presidente Dilma Rousseff (PT) disse na última semana, a corrupção no Brasil é mesmo uma senhora idosa. Ainda que essa que hoje ocorre na Petrobras seja “uma mocinha”, conforme retrucou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Longe de isso eximir ou atenuar a culpa dos atuais corruptos, os casos de assalto ao patrimônio público estão documentados desde antes da República. Aliás, antes mesmo de o Brasil existir como País independente.
Desde os primórdios da exploração econômica na colônia, há registros de desvios e proveitos ilícitos envolvendo funcionários da Coroa portuguesa. A corrupção envolvia favorecimento ao contrabando, mediante propinas, fraudes nas primeiras eleições, suborno, sonegação, favorecimento a aliados políticos.
Eram extraídos proveitos ilícitos desde as obras e serviços públicos até o tráfico de escravos, passando pela relação com a imprensa que nascia. O grande filão dos primeiros corruptos era a exploração do ouro. Mas até a hoje padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, foi alvo da ação fraudulenta.
Os casos mais escandalosos caiam na boca do povo e chegavam a virar chacota em versos populares. O hábito de transformar a roubalheira pública em piada também vem de longe.


TEXTO IV:

Leandro Karnal faz a melhor síntese do ano sobre 'o que é a corrupção'

“Eu gostaria de dizer, porque o público adoraria, Lázaro, que nós somos todos, profundamente honestos. Somos aquilo que os advogados chamam de ‘probos’ — pessoas experimentadas na ética; ao mesmo tempo em que somos governados por ladrões. Essa é uma frase de Carlos Lacerda, durante a crise de 1954: ‘Somos uma nação de trabalhadores honestos governados por ladrões’.
Isso é bom de dizer porque o público adora esse tipo de coisa. Ou seja, nós estamos isentos, o problema está com o mundo lá em cima. Eu insisto, e tenho dito sistematicamente, não existe governo corrupto numa nação ética; e não existe nação corrupta com governo transparente e democrático. Quer dizer, sempre entre governo e nação há um jogo.
Então em nações onde o trânsito funciona como na Suécia, em nações onde pagam os impostos mais corretamente… em geral, nestas nações, o governo é mais transparente.
A corrupção, portanto, é um mal social. Um mal coletivo, e não apenas do governo.
Eu seria muito feliz se todos os problemas [no Brasil] estivessem concentrados em apenas um partido político. Pois bem, este partido não está mais no poder neste momento, e as denúncias de corrupção continuam. Então vamos afastar o outro partido? Você acha que isso nos conduziria ao paraíso? Ou que antes da existência desse partido, dessas pessoas, aqui era terra de gente experimentada na honestidade?
Eu vejo corrupção no trânsito, eu vejo corrupção no dia a dia, e como professor faz 33 anos que eu recebo atestado médico falso de aluno que perdeu prova. Então, é o governo que está em jogo, ou é um comportamento social do qual o governo também faz parte?”