sexta-feira, 13 de abril de 2018

DICAS DE REDAÇÃO (3) - INTRODUÇÃO (2)


TEMA: A IMPORTÂNCIA DOS VALORES ÉTICOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE UMA NAÇÃO (Proposta 32 deste bolg)

"Para o filósofo espanhol contemporâneo Fernando Savater, “todos os seres humanos agem buscando sua própria felicidade e, portanto, a ética deveria ser uma ferramenta para tornar a felicidade possível para o maior número de pessoas”, isto é, partindo desse princípio defendido por Savater, entende-se que a ética é um fator essencial para a construção de uma nação que visa ao bem coletivo e não apenas a interesses mesquinhos e individualistas, como, infelizmente, constatamos no comportamento de muitos brasileiros, desde políticos a cidadãos comuns. Nessa vereda, destaca-se que a formação de valores éticos é imprescindível a todos os indivíduos que compõem uma sociedade para que ainda possa haver um resquício de esperança de se viver em um país mais justo e íntegro." (...)
Autora: Professora Suziane Brasil Coelho

Em amarelo:
v  Na primeira parte da introdução, o problema em discussão foi apresentado por meio de uma citação filosófica de Fernando Savater sobre ética, já que o tema trata da importância dos valores éticos para o desenvolvimento de uma nação. No Enem, o candidato precisa apresentar em seu texto repertório sociocultural, então uma das possibilidades é já colocá-lo na introdução de modo consistente como pode ser visto no exemplo acima.

Em verde:
v  A segunda parte da introdução corresponde, primeiramente, à explicação do repertório sociocultural utilizado, a fim de que esse repertório tenha função argumentativa dentro do texto. Em seguida, a autora já deixa transparecer a linha de pensamento que vai defender, a sua visão sobre o problema em análise.

Em azul:
v  Na continuação da opinião, observa-se a TESE, com a opinião final a ser defendida sobre o tema ao afirmar que é imprescindível a formação de valores éticos para que se possa haver esperança de se viver em um país mais justo e íntegro.

FICA A DICA:
Existem várias maneiras de se fazer uma introdução para um texto dissertativo-argumentativo. O produtor do texto terá de avaliar qual será a melhor maneira de iniciar a sua redação. Isso vai depender do tema, dos conhecimentos filosóficos, sociológicos, históricos e de mundo que o autor do comentário tenha em sua bagagem intelectual. Por isso, é importante investir em leituras diversificadas, pesquisas, documentários, filmes e obras literárias!!!!!

Link da proposta 32: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3374548465953213258#editor/target=post;postID=4269771099360267008;onPublishedMenu=template;onClosedMenu=template;postNum=16;src=postname

domingo, 8 de abril de 2018

DICAS DE REDAÇÃO (2) - INTRODUÇÃO (1)

DICAS DE REDAÇÃO - TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO

Uma das dificuldades que mais atinge os estudantes é justamente a produção da Introdução. Na tentativa de ajudar aqueles que estão se preparando para vestibulares, seguem algumas dicas:
  •  As introduções de texto argumentativo devem apresentar ao leitor duas informações importantes: 
ü  Qual problema será discutido no texto?
ü  (PROBLEMATIZAÇÃO)
 


ü  Qual a opinião do autor do texto sobre esse assunto?
ü  (TESE)
       

    Para apresentar o problema, podem ser usadas várias estratégias textuais. A mais básica e comum é fazer a apresentação com base na situação atual em que o referido problema se encontra. Outras maneiras também são válidas e podem conferir ao texto, além da apresentação, um repertório sociocultural, como fazer referência a um fato histórico, a um pensamento filosófico ou sociológico, a uma obra literária, entre outras.

 Seguem alguns exemplos:

Tema: Os perigos das Fake News na era da informação

Na era da informação, uma postagem na internet provoca, em segundos, uma repercussão incalculável nos usuários que estão conectados, praticamente, as 24 horas do dia, facilitando a disseminação de quaisquer conteúdos, sejam eles verdadeiros ou não. Infelizmente, essa rápida divulgação adubou o terreno midiático para que informações inverídicas repercutissem instantaneamente podendo causar prejuízos irreparáveis e, por isso, devem ser combatidas por toda a sociedade e pelos meios de comunicação oficiais.

- Em amarelo:
Ø A primeira parte da introdução corresponde à apresentação do problema, apenas com base na situação atual que envolve os perigos das Fake News na era da informação.

- Em verde:
Ø A segunda parte da introdução corresponde à opinião da autora sobre o tema em questão.

- Em azul:
Ø Na continuação da opinião, observa-se a TESE, com a opinião final a ser defendida.
·        
    Aproveitando ainda a mesma introdução, segue agora um exemplo com a utilização de um repertório histórico que está relacionado ao tema:

“Já no século VI, o historiador bizantino Procópio escreveu um livro cheio de histórias de veracidade duvidosa, denominado História Secreta, para arruinar propositalmente a reputação do imperador Justiniano. Muitos séculos depois, na era da informação, uma postagem na internet provoca, em segundos, uma repercussão incalculável nos usuários que estão conectados, praticamente, as 24 horas do dia, facilitando a disseminação de quaisquer conteúdos, sejam erles verdadeiros ou não. Essa rápida divulgação adubou o terreno midiático para que informações inverídicas repercutissem instantaneamente podendo causar prejuízos irreparáveis e, por isso, devem ser combatidas por toda a sociedade e pelos meios de comunicação oficiais”.

- Em cinza:
Ø Na primeira parte da nova introdução, observa-se a presença de um repertório histórico referente à criação de histórias de veracidade duvidosa, feitas com objetivo político de difamação, bem parecido com muitas Fake News que vemos disseminadas atualmente.
Ø Ao citar um repertório histórico, lembrar de fazer sempre a relação do fato histórico com o fato atual para que o repertório seja eficiente e produtivo.


ESPERO QUE TENHAM GOSTADO! NÃO PERCAM A CONTINUAÇÃO DESSA POSTAGEM COM OUTROS EXEMPLOS!










domingo, 1 de abril de 2018

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (39)


PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO em NORMA PADRÃO da língua portuguesa sobre o tema “O COMBATE À VIOLÊNCIA NAS GRANDES CIDADES BRASILEIRAS NO SÉCULO XXI, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

TEXTO I
Congresso aprova decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro; entenda o que a medida significa

O Senado aprovou nos últimos minutos desta terça-feira o decreto assinado pelo presidente Michel Temer que determina a intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro, deixando a segurança pública fluminense sob responsabilidade de um interventor militar, que responde ao presidente da República. O placar foi de 55 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção.
Horas antes, na madrugada de terça-feira, a matéria havia sido chancelada pela Câmara dos Deputados. Na casa, o texto foi aprovado por 340 votos a favor e 72 contra, além de uma abstenção.
Assim, a segurança pública do Rio sai da esfera estadual e vai para a federal, com comando militar, até 31 de dezembro de 2018.
Assim como diversos Estados do país, o Rio de Janeiro vive uma crise de segurança. Episódios de violência durante o Carnaval teriam influenciado a tomada de decisão pelo governo.
A intervenção federal nos Estados está prevista na Constituição de 1988, mas nunca tinha sido aplicada até agora. Segundo o governo Temer, o objetivo da medida é "conter grave comprometimento da ordem pública", mas ainda não está definido concretamente como será essa intervenção.
"O que o cidadão poderá sentir e ter é um sistema muito mais robusto de segurança social, com coordenação mais estreita, capacidade operacional maior, inteligência bem mais integrada", declarou o ministro da Defesa, Raul Jungmann.

Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43079114. Acesso em 11/03/2018.

TEXTO II


                                                                                                   
 TEXTO III

Disponível em http://www.navepress.com.br/atlas-da-violencia. Acesso em 11/03/2018.

TEXTO IV
Todos se perguntam: O que podemos fazer para mudar essa situação?

A prevenção à criminalidade urbana, inclusive a violenta, só pode ter sucesso por intermédio de uma inclusão humana social, econômica e política. Não se reduz a criminalidade a níveis razoáveis unicamente por meio da lei, definindo novos fatos típicos, agravando a resposta penal e excluindo benefícios dos autores de infrações penais graves. É uma verdade secular, já vivida pelo nosso País há longos anos com enorme prejuízo à segurança pública.
A repressão à violência urbana não se faz à força, como se prendendo criminosos tivéssemos cidades limpas de péssimos indivíduos. Isso se faz, em primeiro lugar, pela educação, esperando-se resultados positivos no futuro. (...)

Disponível em http://violenciaurbanna.blogspot.com.br/2013/05/cris.html. Acesso em 11/03/2018.




sábado, 24 de março de 2018

DICAS DE REDAÇÃO (1) - ESQUEMA DE TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO


ESQUEMA DO TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO

Para começar a escrever um texto dissertativo-argumentativo, é muito importante fazer, primeiramente, uma análise do tema e depois elaborar um esquema da redação com as principais ideias que você irá desenvolver. Após a estruturação desse esquema, a escrita do texto será muito mais fácil e você correrá menos risco de fugir ao tema e de se perder nas ideias ao longo da redação. 
Segue abaixo um esquema sobre a Proposta de Redação 38 postada recentemente neste blog.

TEMA 
(O PERIGO DAS FAKE NEWS NA ERA DA INFORMAÇÃO)
TESE
(AS FAKE NEWS PASSARAM DE UM SIMPLES BOATO E SE TORNARAM UMA ARMA PARA INFLUENCIAR PENSAMENTOS E COMPORTAMENTOS)

ARGUMENTOS

ARGUMENTO 1: AS FAKE NEWS DIVULGADAS PARA INFLUENCIAR POLITICAMENTE OS USUÁRIOS DA INTERNET.
ARGUMENTO 2: AS FAKES NEWS ACIRRAM DISCURSOS DE ÓDIO, PROVOCANDO INSTABILIDADE SOCIAL. 

PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

INTERVENÇÃO 1: O USUÁRIO DEVE VERIFICAR A VERACIDADE DAS NOTÍCIAS, PESQUISANDO EM VÁRIOS SITES E NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO MAIS CONFIÁVEIS.
INTERVENÇÃO 2: OS SITES DE REDES SOCIAIS DEVEM AMPLIAR O SERVIÇO DE VERIFICAÇÃO DE FALSAS NOTÍCIAS E, ASSIM, BLOQUEAR ESSE FENÔMENO TÃO PREJUDICIAL. 

Depois desse esquema, fica muito fácil fazer a redação.

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (38)



PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “OS PERIGOS DAS FAKE NEWS NA ERA DA INFORMAÇÃO”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.


TEXTO I
Fake News são notícias falsas, mas que aparentam ser verdadeiras.

Não é uma piada, uma obra de ficção ou uma peça lúdica, mas sim uma mentira revestida de artifícios que lhe conferem aparência de verdade.
Fake news não é uma novidade na sociedade, mas a escala em que pode ser produzida e difundida é que a eleva em nova categoria, poluindo e colocando em xeque todas as demais notícias, afinal, como descobrir a falsidade de uma notícia?
No geral não é tão fácil descobrir uma notícia falsa, pois há a criação de um novo “mercado” com as empresas que produzem e disseminam Fake News constituindo verdadeiras indústrias que “caçam” cliques a qualquer custo, se utilizando de todos os recursos disponíveis para envolver inúmeras pessoas que sequer sabem que estão sendo utilizadas como peça chave dessa difusão.
Infelizmente é muito comum o uso das primeiras vítimas como uma espécie de elo para compor uma corrente difusora das Fake News. Assim, aquelas pessoas que de boa-fé acreditaram estar em contato com uma verdadeira notícia, passam – ainda que sem perceber – a colaborar com a disseminação e difusão dessas notícias falsas.
Mas não é impossível detectá-las e combatê-las, há técnicas e cuidados que colaboram para mudar este cenário, sendo a educação digital uma ferramenta para fortalecer ainda mais a liberdade de expressão e o uso democrático da internet.

Disponível em: http://portal.mackenzie.br/fakenews/noticias/arquivo/artigo/o-que-e-fake-news/ Acesso em 26 outubro 2017
TEXTO II
Disponível em: http://academiadojornalista.com.br/como-identificar-fake-news/ Acesso em 26 outubro 2017

TEXTO III

“Fake news’ tornam o jornalismo de qualidade mais necessário do que nunca”, diz diretor do EL PAÍS
As operações de intoxicação informativa por meio das redes sociais, conhecidas como fake news, são uma ameaça “não só para a imprensa livre, mas para a própria democracia”. Diante da epidemia que se espalhou por todo o mundo, o diretor do EL PAÍS, Antonio Caño, defende “como mais necessário e exigido do que nunca” o jornalismo “de qualidade, honesto, rigoroso e respeitoso das regras profissionais”. Segundo Caño, embora a proliferação de boatos na Internet tenha trazido “o caos para o mundo das notícias”, ao mesmo tempo “revalorizou o papel da imprensa” como referência confiável para se informar e “fiscalizar os abusos do poder”.
Com uma palestra sobre o fenômeno das fake news, o jornalista espanhol abriu na quarta-feira o segundo dia do Encontro Folha de Jornalismo, promovido pela Folha de S.Paulo, o maior jornal brasileiro, que nestes dias comemora seu 97º aniversário. O diretor do EL PAÍS lembrou que esse novo tipo de manipulação de informações “expressamente preparado para confundir os cidadãos” já desempenhou, em graus variados, um papel importante nas recentes eleições dos EUA e da França, no referendo sobre o Brexit no Reino Unido e até mesmo no conflito catalão na Espanha. Caño advertiu que, no ritmo atual, estima-se que dentro de dois anos 50% das notícias que circularem nas redes sociais serão falsas. E ressaltou a magnitude do problema citando algumas palavras do historiador norte-americano Timothy Snyder: “Quando nada é verdade, tudo é espetáculo. A pós-verdade é o fascismo”. Na sequência dessa reflexão, Caño, que lembrou que uma imprensa livre e independente é indispensável para a sobrevivência da democracia, enfatizou: “Se deixarmos que forças obscuras imponham suas mentiras aos cidadãos indefesos, abriremos um caminho seguro para o autoritarismo”.
Em sua conferência, Caño explicou que as informações falsas muitas vezes são capazes de abrir caminho porque uma parte do público “quer acreditar nelas, as consome mesmo que suspeite delas, pois quer ver sua ideologia e seus preconceitos confirmados”. Mas, ao mesmo tempo, outra parte dos cidadãos teve “uma sensação de falta de proteção” e isso “os empurrou para buscar novamente o jornalismo de qualidade”, afirmou. O diretor do jornal acredita que o melhor antídoto para essa nova praga de manipulação da informação está nos meios de comunicação e não na criação de organismos reguladores vinculados aos governos com poder de decidir o que é verdadeiro. “Nesse caso, corremos o risco de, para combater um mal, criarmos outro pior, a censura”, advertiu.
 (...)








terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM (37)



PROPOSTA DE REDAÇÃO ESTILO ENEM

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO em NORMA PADRÃO da língua portuguesa sobre o tema “A RELAÇÃO ENTRE A INTERVENÇÃO FEDERAL NA SEGURANÇA E A REDUÇÃO DOS CRIMES, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa do seu ponto de vista.

TEXTO I
O que é intervenção federal?
Realizada pela União Federal, em nome da Federação, nos Estados e no Distrito Federal, nas hipóteses taxativamente previstas no artigo 34 da constituição, quais sejam:
  • Manter a Integridade Nacional
  • Repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da federação em outra
  • pôr termo a grave comprometimento da ordem pública
  • garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação
  • reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
  • prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
  • assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
    • forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
    • direitos da pessoa humana;
    • autonomia municipal;
    • prestação de contas da administração pública, direta e indireta.
    • aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.
O Presidente da República pode agir de ofício (Intervenção espontânea) para preservar a integridade nacional, repelir invasão estrangeira, pôr termo a grave comprometimento da ordem pública ou reorganizar as finanças das demais unidades da federação.
Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Interven%C3%A7%C3%A3o_federal. Acesso em 27/02/2018.

TEXTO II

Entenda como o tráfico se tornou um crime organizado no Rio

Cidade virou ponto de partida da cocaína rumo à Europa na década de 70.
Na mesma época, surgiram as facções criminosas dentro dos presídios.

O tráfico se tornou um crime organizado no Rio de Janeiro a partir do final da década de 1970. O antropólogo Paulo Storani, que foi oficial do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, diz que a cidade virou um ponto na rota de distribuição da cocaína que saía dos países andinos, em direção à Europa. À medida que a produção crescia nestes países, aumentava a oferta da droga dentro da cidade, e o preço diminuía para o usuário.
Nessa mesma época, surgiram as facções criminosas, dentro de presídios. Um grupo de presos comuns se uniu aos presos políticos para combater o bando que dominava as cadeias e que chegava a cobrar pedágio pela segurança dos detentos.
Os assaltantes comuns aprenderam as técnicas de organização e guerrilha dos militantes políticos. Segundo a antropóloga Alba Zaluar, logo os criminosos descobriram um novo negócio. “Eles ficaram sabendo que assalto não estava dando tanto dinheiro, o que estava dando muito dinheiro era o tráfico. E passaram então a traficar. O tráfico se expandiu com muita rapidez no início da década de 80”, disse.
O ex-oficial do Bope explica que as primeiras favelas dominadas em larga escala pelo tráfico foram a Mangueira, o Jacaré e o Morro do Alemão. Nos anos 1990, três facções disputavam os pontos de vendas de droga. As guerras entre elas fizeram os traficantes se armar cada vez mais.
“Eles armavam pequenos exércitos e invadiam a área ocupada pela facção rival, na tentativa de ampliar o seu mercado. A facção rival fez a mesma coisa, comprou armas tão poderosas, começou a se estruturar, e aí começaram a verificar a guerra do controle na droga do Rio de Janeiro”, explicou.
Ele acredita que isso aconteceu por negligência das autoridades públicas ao longo de muitos anos: “Por que conseguiram comprar armas? Diante das fronteiras continentais, uma incapacidade da União, dos estados que fazem fronteiras com países que fornecem drogas. Essa incapacidade de fiscalizar suas fronteiras, fez com que as armas chegassem em qualquer lugar do país”, afirmou. (...)

TEXTO III







TEXTO IV
Editorial. Intervenção federal: riscos de simplificação

(...) A parte visível do tráfico traduz-se nas facções que se apoderam de territórios habitados pela população mais pobre e socialmente vulnerável, submetendo-as ao seu domínio, seja pelo terror, seja pela prestação de pequenos favores à comunidade, substituindo a ausência do Estado. Aí se fixam as facções e os contingentes recrutados por elas entre a juventude desprovida de qualquer perspectiva do futuro. Há quem suponha que os verdadeiros donos do tráfico são invisíveis: residem supostamente em ambientes luxuosos e transitam muito bem nos círculos do poder político e dos negócios, em âmbito nacional e internacional. Uma visão simplista pretende isolar o fenômeno do contexto social, econômico, cultural e político que o enseja. E, assim, enfrentá-lo apenas com a repressão àquela parte mais visível, não levando em conta que os criminosos estão imbricados na população trabalhadora residente, como acontece, nos morros do Rio de Janeiro, ou nos bairros periféricos de outras cidades e não se deve colocar essa população inocente na linha de fogo.  
            Ademais, é preciso que as ações repressivas, além de cingidas à legalidade,  sejam acompanhadas de políticas públicas que incorporem essas populações ao tecido social da Nação, dando-lhes acesso à saúde, educação, lazer, moradia, emprego e renda e segurança pública. (...)